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“Artista é aquele que sabe preservar em si, intacta e nova,
essa parte sonhada de sua infância. Tem a proeza de
continuar a ser criança sem renunciar a crescer.”

André Comte-Sponville

De fato, um pensar artístico coeso revela-se neste conjunto de obras de amorosidade movediça. Elas apresentam um percurso nômade do desejo da artista e da resposta do espectador. Esta produção interrupta instaura uma tensão entre o inadequado e a reminiscência.

Conscienciosa, Stela interroga o lugar do artista como revelador de algo, apresentando uma interioridade questionadora e constrói uma história poética.

Irresoluta, deseja acasalar disparidades, objetos que parecem resistir à junção. E neste vigoroso tecer de ligações, entrega-se a uma experiência imunológica; rastreando o desejo incontrolável de si, engravida o mundo com sua presença. Para ela não existe inaptidão do fio que tece.

Obras que suscitam um mergulho na parte mais escorregadia da alma; urdidura de fazeres desiguais, como seu grande desafio. Assunto em si mesmo, o tangível requer um procedimento próprio, um material justo para cada trabalho. Acomodada em suas mãos, a materialidade transborda deste mundo para um outro.

Traçado e fundo realizam o desenho, desvelando uma calada trajetória investigativa.

A pele dilacera-se na matéria, trouxas-prenhes que anunciam um terreno livre e apaixonado.

Fazer com a mão,
Fazer com a mãe,
Fazer como a mãe.

A artista que conta aprende ouvindo. Abandonando-se sem resistências aos encontros, no esquecimento de si acha-se, algo que é outra coisa, da absorção de um mundo não enrijecido, brota o encadeamento de uma vida.

Rubens Espírito Santo1 e Ângela Castelo Branco2

1 Rubens Espírito Santo é artista plástico, pensador, professor de Filosofia da Arte, fundador da Universidade Livre de Arte-SP e
2 Ângela Castelo Branco é Mestre em educação, coordenadora técnica da Universidade Livre de Arte-SP

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